Verborragia

A arte de usar muitas palavras e nao dizer nada. Ou dizer tudo.
Por @vinnyreis.

The Beginning

“Se I Gotta Feeling era sobre alguém que saía e dizia ‘Eu sinto que essa noite será uma boa noite’, o que essa pessoa diria quando voltasse à casa após a festa? Ela provavelmente te diria ‘Wow, eu nunca me diverti tanto na minha vida’, e é sobre isso que The Time trata.

The Beginning é sobre ter controle…sobre sua vida e não esperar que alguém te dê as respostas, mas sair e procurar por essas respostas você mesmo. Nós estamos dizendo: ‘não deixe a negatividade te comandar’. Às vezes, sair e se divertir é uma fuga. É uma manifestação de seu desejo de viver uma vida feliz. Algumas pessoas dirão ‘Por que estou comemorando? Eu não tenho emprego. Eu acabei de ser demitido. Eu tenho que pagar minha hipoteca. Então, o que há a ser comemorado, Senhor Will.i.am?’

Bem, você está celebrando o fato de que você está vivo e tem uma mente e sabe diferenciar o certo do errado. Mas você deve mudar sua freqüência. Você deve mudar sua perspectiva. Você nunca vai conseguir nada positivo se você estiver preso no negativo. Então o que você vai comemorar é que um dia isso vai mudar, e esse é o começo.”

 (will.i.am)

Boris Yelnikoff: “In the end the romantic aspirations of our youth are reduced to, whatever works.”

Boris Yelnikoff: “In the end the romantic aspirations of our youth are reduced to, whatever works.”

The Time

 Há duas semanas, entristecia-me saber que não poderia ver o Black Eyed Peas em sua passagem pelo Rio. A ideia de perder algo de tamanha importância para mim parecia inaceitável. No entanto, desacreditado e chateado por tal possibilidade que já ia afirmando-se certeza, surge, absolutamente do nada, uma novíssima oportunidade de ir ao show. Agarrei-a e não me arrependi.

Cada segundo registrado por minhas pupilas trêmulas e descrentes foram impagáveis. Os instantes em que olhei para o palco e os vi foram impressionantes. Estes foram, certamente, poucos, contudo marcantes. As telas, os lasers, as luzes, a batida, as letras… TUDO parecia conspirar a favor de uma experiência inimaginável.

Acima disso, era perceptível o amor daqueles quatro pelo Brasil e pelo Rio. O riso quase infantil do líder will.i.am diante de Jorge Ben Jor era, desconsiderando qualquer ufanismo, sincero. Todos os milhares que se reuniram na Apoteose para assistir ao concerto tiveram uma única e imbatível certeza: “É, eles nos amam”.

Diante do inevitável fanatismo que me assola, me pergunto: será que é assim que nós percebemos que algo foi tão importante pra nossas vidas? Será que essa sensação de “quero mais” e essa vontade de voltar no tempo são suficientes para classificar algo como inolvidável, incrível, insano? Decerto, sim. Afinal, já faz quase uma semana e ainda encontro-me em estado de êxtase. A noite do dia 24 foi inesquecível. Foi a realização de um sonho, adormecido durante anos. Foi o melhor momento de minha existência.

Portanto, obrigado, Peas, por serem quem são. Obrigado por seu amor e por terem produzido um espetáculo absurdamente empolgante. E obrigado a vocês, leitores, por terem suportado, durante minutos, um texto irritantemente grandiloquente.

Metalinguagem

Ah, a palavra! Será que há mais nobre forma de expressão que esta? Será que há algo mais impressionante que o poder que um simples verbete é capaz de exercer? À primeira vista, pode parecer que sim. Mas reflita um pouco mais: afinal, palavras vão muito além de meros dizeres. São expressões sinceras e fiéis de um ser. São sua essência, sua realidade.

Palavras podem ser desesperadoras ou prazerosas; frias ou emocionantes; falsas ou verdadeiras. De qualquer forma, por trás de cada “Meu Deus!” e “Socorro!” existe um coração clamando por ajuda e compaixão. Por trás de uma mentira há sempre alguém confuso e errante. Ainda assim, diante do que é dito ou escrito, até o desespero e o falso testemunho mostram-se sinceros.

Ademais disso, a forma como se expressa uma ideia verbalmente também pode influenciar seu entendimento. Um “eu te amo” vindo de um desconhecido pode soar precipitado. Já vindo de seus pais, pode soar costumeiro, mecânico. Mas uma declaração de amor escrita por eles não soaria assim. Na verdade, a do desconhecido ainda seria estranha. Contudo, se seus pais o escrevessem algo assim, leitor, sem dúvidas seria arrebatador e comovente.

Talvez possa parecer um tanto surpreendente, destrutiva e pesada essa crônica, ainda mais vinda de uma página nomeada pela arte tarantinesca de usar muitos termos e não dizer quase nada. No entanto, infelizmente vivemos num mundo que subjuga as palavras, verdadeira expressão do ser, e valoriza os gestos, as aparências e o prazer visual. Portanto, gostaria que atendesse ao único pedido que faço, leitor, um clamor pessoal: nunca se esqueça do poder da palavra. E use-a com precaução. É o mais sincero sentimento de um escritor inconformado.

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